Resenha: A Historia da Arte como Historia da Cidade, de Giulio Argan - Marco Baptista

23 novembro 2016

Resenha: A Historia da Arte como Historia da Cidade, de Giulio Argan


Para ler esse livro é bom que você já tenha algum conhecimento sobre arte e sua história, afinal Argan tem uma linguagem rebuscada e repleta de referencias para elucidar sua mensagem. Caso esteja iniciando no caminho das artes, este livro também é esclarecedor, porém exige calma, raciocínio e algumas pesquisas paralelas no google. 

Qual a relação entre a arte e a cidade? Qual o motivo da ausência do objeto manufaturado nas exposições artísticas? A sociedade que consome quantidade sacrificando a qualidade tem alguma relação com as cidades modernas, que crescem desenfreadamente e sem nenhum planejamento?

A triade: Arte, objeto e cidade são tratadas por Argan em harmonia. Como bom conhecedor das cidades e das artes, Argan estabelece uma relação entre ambos e onde um implica em outro. No urbanismo da cidade é que experimentamos muito da arte tanto do passado quanto das frentes vanguardistas. A cidade é um grande museu imersivo.

O livro começa focando na compreensão da arte e da necessidade do entendimento de sua história, pois só assim pode-se entender com mais clareza seu significado para a humanidade, o que não impede o leigo de também experimentar uma agradável experiência estética junto a uma obra.

Qual o valor artístico e cultural de uma cidade histórica? Argan cita Roma, a capital do maior império da história, sobre a qual possui uma relação muito próxima, para nos fazer entender da necessidade da valorização do antigo como testemunhas concretas do seu  passado.

O valor histórico e simbólico de uma cidade é dado por seus habitantes, porém muitas vezes as massas não compreendem o seu próprio valor, por isso mesmo que o estudioso tem a responsabilidade em garantir o que deve ser conservado para as futuras gerações. 

Muitas cidades sofreram e sofrem mutações, novos povos se agregam a ela rapidamente, criando assim cidades impensadas e muito menos belas. Cidades que não geram prazer e muito menos paz de espirito, comprometidas unicamente com o crescimento imobiliário sacrificando seu passado, presente e até comprometendo seu futuro.

Até onde irá uma sociedade que coloca o lucro e a simples funcionalidade acima do bem estar, da beleza, da harmonia e da qualidade? 

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