Pintura à óleo - Lei da Ancoragem: Gordo sobre magro - Marco Baptista

20 outubro 2014

Pintura à óleo - Lei da Ancoragem: Gordo sobre magro

O que vamos falar não tem nada a ver com o gordo e o magro da imagem ao lado. Mas lhe ajudará a lembrar dessa dica: GORDO SOBRE MAGRO.

Se existissem os mandamentos da pintura acredito que este seria o primeiro e ficaria mais ou menos assim:

1- Honrarás a ordem do gordo sobre magro para que não surjam problemas de craquelês em tua tela de pintura.

Essa lei é tão fundamental quanto esquecida. Muitos artistas, seja por descaso ou por ignorância cometem esse erro. Ao quebrar essa lei fica fácil surgirem os famosos craquelês, que nem sempre são bem quistos na tela, chegando ao ponto da pintura cair literalmente da tela.

E agora José? Como sair dessa?

Se você fizer uma pintura a la prima ou mancha (pintura feita em uma única seção) não tem muito o que se preocupar com isso, pois a tinta sec.... (nunca diga que a pintura a óleo SECA, ela OXIDA), então , ela OXIDARÁ ao mesmo tempo e por igual, assim não oferecerá riscos de futuros craquelês.

Então quando eu devo tomar esse cuidado?

Você já deve ter visto, nem que seja por livros ou pela internet, as obras de Rembrandt, Ticiano, Ingres e muitos outros. Pois então, esses caras pintavam com muitas camadas, dezenas até. Isto favorecia um efeito de profundidade inigualável e impossível de se conseguir com uma pintura de uma seção apenas. 
Para realizar esse processo é necessário do conhecimento da lei da ancoragem, ou gordo sobre magro. 
Para simplificar, você deve entender que a tinta mais gorda ou com mais óleo deve sempre sobrepor a mais magra, com menos óleo.
Vamos a um exemplo prático.
Comece sua pintura diluindo sua tinta apenas em solvente e faça seu desenho. Deixe secar. Na próxima camada diminua a quantidade de solvente da mistura e acrescente um pouco de óleo, de linhaça é claro. Deixe secar, opa, OXIDAR.
Continue nesse raciocínio de diminuir a quantidade de solvente e ir acrescentando óleo até o ponto em que você dilua a tinta em óleo apenas. Esta é a chamada velatura, assunto para outro dia.

A lógica é a seguinte: o óleo quando oxidado torna-se uma superfície vitrificada, porém com certa maleabilidade. Nas camadas anteriores onde havia pouco óleo não há tanta maleabilidade e á assim que deve ser. A camada de baixo não pode ser mais maleável que a posterior, pois se esta trabalhar mais que a de cima causará rachaduras (craquelês). Esta dica serve muito para quem pinta em técnica mista, como eu. Cuidado para não deixar muita tinta acrílica empastada e pintar com óleo diluído em solvente sobre este empastamento, pois o acrílico trabalha muito e o óleo não, e isso poderá dar problemas.

Para mais dicas e dúvidas, deixe um comentário., Abraço!

Um comentário:

  1. Gostei do post. O que você quis dizer com o "acrílico trabalha" mais que o óleo? Desculpe minha ignorância. Estou começando agora...

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