Marco Baptista

31 dezembro 2018

O Início da Academia de Belas Artes – Decretos de 1832/1833 – por: Marco Baptista


Desde a Missão Artística Francesa, foram duros anos até a consolidação da Academia. Lebreton, o idealizador da Missão artística morreu em 1819 antes de conseguir concretizar seus ideais no Brasil, Nicolas Taunay retornou para a Europa em 1821 e Debret em 1831. Tal decreto veio para reestruturar a jovem missão sob os moldes do academicismo neoclássico, o qual foi a base da Academia de Belas Artes no Brasil. Novas mudanças significativas ainda viriam a acontecer nas próximas décadas, mas isto é assunto para outro dia.


Em dezembro de 1831, primeiro ano do período regencial, sob a tutela de João Braulio Miniz José da Costa Carvalho e Francisco de Lima e Silva, pai de Luis Alves de Lima e Silva (duque de Caxias) o Império lança um de seus primeiros decretos com intuito de formalizar o ensino de artes no Brasil, através da Academia Imperial de Belas Artes.

Nesse decreto foi solicitada a contratação de um secretário(a) para a Academia nomeado(a) por seus gestores, com salário estipulado em 150U Reis (150 mil réis) anuais.

 Também foi solicitada a criação do cargo de professor de Osteologia (área da anatomia que estuda a estrutura e desenvolvimento dos ossos), miologia (área da anatomia que estuda os músculos e seus anexos) e fisiologia dos temperamentos e paixões (estudos das feições  e expressões humanas). A criação deste profissional é defendida fortemente, por julgar fundamental tais conhecimentos para qualquer um que se atreva a empunhar um pincel ou representar em mármore ou bronze a figura humana.

Para tal função foi oferecido um ordenado anual de 600U réis. Tal valor também foi justificado quando comparado ao ganho de um professor primário que até o momento variava entre 200 e 500U réis anuais.

Para certificar os alunos da Academia, o decreto instituiu a criação de diplomas de conclusão de curso a todos que finalizassem os estudos com bom desempenho. Além disso criou-se premiações em forma de medalhas para aqueles alunos de destaque. Em um lado da medalha, em relevo, o busto do imperador e no outro lado a inscrição “Ao Gênio”, e sua aplicação. As medalhas eram forjadas em ouro em dois tamanhos, a de 1º grau com peso de 1 onça e a de 2º grau, também de ouro, com peso de ½ onça. Uma onça equivale aproximadamente a 30 gramas e na cotação do ouro de hoje (31 de dezembro de 2018) valeriam R$ 4.740,00. Cabe lembrar que o valor atribuído a um bem varia muito com o tempo e por carecermos de bases não é indicado atribuir um valor equivalente. Também pelo fato desta ser uma medalha especial cunhada quase que de forma personalizada e representar uma conquista por meritocracia, faz dela um bem de valor incalculável.

Tal decreto foi expedido em 30 de dezembro de 1831, levado a aprovação na assembleia geral (atual câmara dos deputados federais) em 25 de maio de 1832 e chancelado em 18 de junho de 1833. Entre idas e vindas passou-se 1 ano e meio desde a criação do decreto e sua aprovação final. Qualquer semelhança com a morosidade dos processos atuais não é mera coincidência.



Fonte: O Novo Museu D. João VI – Acervo digital. Acesse: http://docvirt.com/MuseuDJoaoVI/

23 novembro 2016

Resenha: A Historia da Arte como Historia da Cidade, de Giulio Argan


Para ler esse livro é bom que você já tenha algum conhecimento sobre arte e sua história, afinal Argan tem uma linguagem rebuscada e repleta de referencias para elucidar sua mensagem. Caso esteja iniciando no caminho das artes, este livro também é esclarecedor, porém exige calma, raciocínio e algumas pesquisas paralelas no google. 

Qual a relação entre a arte e a cidade? Qual o motivo da ausência do objeto manufaturado nas exposições artísticas? A sociedade que consome quantidade sacrificando a qualidade tem alguma relação com as cidades modernas, que crescem desenfreadamente e sem nenhum planejamento?

A triade: Arte, objeto e cidade são tratadas por Argan em harmonia. Como bom conhecedor das cidades e das artes, Argan estabelece uma relação entre ambos e onde um implica em outro. No urbanismo da cidade é que experimentamos muito da arte tanto do passado quanto das frentes vanguardistas. A cidade é um grande museu imersivo.

O livro começa focando na compreensão da arte e da necessidade do entendimento de sua história, pois só assim pode-se entender com mais clareza seu significado para a humanidade, o que não impede o leigo de também experimentar uma agradável experiência estética junto a uma obra.

Qual o valor artístico e cultural de uma cidade histórica? Argan cita Roma, a capital do maior império da história, sobre a qual possui uma relação muito próxima, para nos fazer entender da necessidade da valorização do antigo como testemunhas concretas do seu  passado.

O valor histórico e simbólico de uma cidade é dado por seus habitantes, porém muitas vezes as massas não compreendem o seu próprio valor, por isso mesmo que o estudioso tem a responsabilidade em garantir o que deve ser conservado para as futuras gerações. 

Muitas cidades sofreram e sofrem mutações, novos povos se agregam a ela rapidamente, criando assim cidades impensadas e muito menos belas. Cidades que não geram prazer e muito menos paz de espirito, comprometidas unicamente com o crescimento imobiliário sacrificando seu passado, presente e até comprometendo seu futuro.

Até onde irá uma sociedade que coloca o lucro e a simples funcionalidade acima do bem estar, da beleza, da harmonia e da qualidade? 

03 agosto 2016

Arte - Realidade, beleza ou expressão.

Vamos fazer uma viagem imaginária dentro de um grande museu de arte. Pode ser o Louvre ou outro grande museu que você conheça real ou virtualmente.

Imagine-se entrando no museu quando vê aquela bela escultura: O David de Michelangelo, é tão real que parece estar vivo, Então em coro você e todos que estão a sua volta exclamam: Isso é arte! Sendo assim, arte é a capacidade e habilidade de reproduzir e copiar seres animados e inanimados com certo grau de semelhança. Quanto mais parecido e detalhado mais artistico, certo? Parece que sim.

Andando mais alguns metros você se depara com alguns trabalhos que não seguem esse caminho de representação como mencionado acima. Você vê um monte de manchas, linhas, cores, texturas e da mesma forma alguém exclama: Isso é arte! Mas como? Se arte é a capacidade de reproduzir com fidelidade, como algo que não copia nada vai ser arte? Hã! complicou! Talvez porque arte seja mais que uma copia, arte é beleza! Tanto faz se copia algo ou cria algo, o que importa é que seja belo, então é arte. Isso sim faz sentido.

Seguindo por salas e anexos você olha para o lado e vê um quadro todo lambuzado, cheio de objetos jogados, parece sujo, malfeito e diz: Eu faria melhor! Mas então você ouve o guia do museu dizendo que aquele trabalho é uma grande obra de arte. E agora? Mas esse negócio feioso é arte? Como isso? Arte não é beleza? Isso não é belo! Alguém está errado nessa história: o museu e o guia ou eu e minha compreensão do que é arte. Então você pensa: Pode ser que alguém ache aquele negócio belo e pra ele é arte, mas pra mim não. Mas isso também não faz sentido, arte tem que ser arte para todos, E agora? Talvez arte seja apenas expressão. Cada um se expressa de um jeito, outros inventando imagens que transmitem uma mensagem. O que importa é expressar sentimentos Pode ser isso!

No mesmo espaço você olha para o lado e vê uma tábua escorada na parede. Mas o que é isso, estão de reforma? Isso está atrapalhando! Então lá vem o guia e diz que aquilo é uma obra de arte minimalista.  Mas isso não expressa nada, não é bela e nem representa nada, é só uma tábua. Que desilusão, arte é coisa de maluco mesmo. Você desiste de tentar entender e vai embora. Caminhando, você refaz seu percurso procurando a saída daquele ambiente agora hostil e incompreensível. Nada mais faz sentido. Arte é perda de tempo (você pensa). 

Em uma ultima olhada para o corredor repleto de trabalhos você nota que tudo aquilo é fruto de séculos e até milênios da ação humana e vem a sua mente a seguinte questão: Se arte é fruto da capacidade criativa humana. como eu poderia defini-la, seria como se eu colocasse um limite nela e no ser humano. Não sabemos nem dos nossos próprios limites, quanto mais da humanidade ou da arte. 

Arte rompe fronteiras, questiona valores absolutos, retoma regras e as quebra. Tudo isso é fruto de nossa capacidade de mudar, negar, questionar, e isso é simplesmente viver, Arte é vida e não há limites para como viver. Viva e faça arte sem rótulos, sem limites, apenas com moderação, é com moderação sim, mas onde? simplesmente, não sei. 

(Marco Baptista)




10 julho 2016

Desafio 2016 - Ensinar e viver de Arte

O ano começou e a vida foi me levando pelo mesmo caminho de antes, porém algumas coisas mudaram no começo de 2016.  Há alguns meses atrás aceitei a proposta de lecionar artes para o ensino fundamental  (6º, 7º e 8º anos), algo que eu não cogitava fazer nem em sonhos, e também de orientar uma oficina de arte dentro de uma ONG local. Estes sem dúvida são mais que  desafios, uma vez que arte se aprende, mas não se ensina. 

Todos sabemos das condições do nosso ensino, principalmente das artes. Desculpem-me minhas professoras de arte, mas não foi pelo que aprendi na escola que escolhi esse caminho.  Em vista disso, meu mais forte objetivo é despertar nos alunos interesse e desembrutecer essa percepção formal deles. É um caminho difícil, principalmente para quem não tem experiência em lecionar. Mas a trancos e barrancos chego lá, pelo menos já percebi algumas mudanças satisfatórias

Há muito tempo queria dedicar-me mais a arte de alguma forma. Até o início do ano, minha sobrevivência dependia de trabalhos publicitários e de eventos, algo que respeito muito, mas não me realiza. Resumindo a novela, esse mercado  encolheu, ou seja, o dinheiro ficou raro, e se é pra não ganhar muito, prefiro não ganhar fazendo coisas que gosto e acredito. 

Penso que o caminho para a realização pessoal  e fazer o que se gosta é árduo e penoso, mas é possível. Dentro das possibilidades profissionais da vida vejo 4 grupos: O primeiro é aquele que não faz o que gosta e não ganha muito dinheiro (a maioria das pessoas). O segundo grupo  é daqueles que não fazem o que gostam, mas ganham bastante dinheiro (muitos estão nessa condição a espera da aposentadoria, para então viver). O terceiro grupo é daquele que faz o que gosta, mas não ganha muito dinheiro (atualmente estou nessa fase, mas meu objetivo é atingir a próxima). Por fim, tem o bem sucedido grupo daquele  que faz o que gosta e ganha dinheiro com isso. Eu considero isso o verdadeiro sucesso. É dificil? É, com certeza, mas não é impossível.

Seja dando aula, produzindo, pesquisando, estudando, vendendo ou qualquer outra ação, desde que  relacionada a arte,  já está de bom tamanho, aí nos preocupamos com o outro detalhe $$$, certo?

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30 março 2016

Leis de Incentivo e Fundo Setorial do Audiovisual - Lilly de Verdade

Ter uma ideia na cabeça e uma câmera na mão parece cada dia mais fantasioso. Leis, artigos e muita burocracia distanciam o ser humano 'normal" de seu objetivo como cineasta, mas não é nada que não possa ser domado. Quer entender um pouco mais como funciona esse mundo de leis e regras para produção e captação de recursos para seu tão sonhado filme? Veja esse material da youtuber Lilly. Muito bom e esclarecedor.


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